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Corriam
os anos 50, e a atração pela mecânica
levou o jovem Oskar Coester a ingressar na Escola
Técnica de Pelotas. Formado aos 17 anos,
deu novo passo ao conquistar um lugar na Escola
da Varig, em Porto Alegre, onde estudou mecânica
e eletrônica aeronáutica. Tornou-se
especialista nos processos de controle eletrônico
de aeronaves, e funcionário distinguido
pelo presidente da companhia, Rubem Berta.
O Brasil entrava na "Era do Jato"
e dela participava Oskar Coester, 10 anos depois
de mergulhar numa avalanche de informações
tecnológicas e de ter decifrado os segredos
dos equipamentos de navegação.
O fato de ter integrado a equipe que promoveu
a “revolução nos transportes
aéreos” proporcionou a Coester
ensinamentos importantes, tanto na área
técnica, como na forma de avaliar o comportamento
do homem diante das inovações.
O conhecimento do sistema operacional de aeronaves
e a primeira experiência empresarial com
inovação tecnológica mudaram
a rota da vida de Oskar Coester e o conduziram
a um novo desafio: a navegação
marítima.
A história da empresa começa
em 1963, com a fabricação de um
equipamento para a comunicação
interna de empresas, o intercomunicador, marca
ICR, que era produzido num pequeno galpão.
Esta atividade levou Coester a freqüentar
as instalações do Estaleiro Só,
justamente no início dos bons tempos
da indústria naval brasileira.
Um fato marcante: Aproximava-se o dia da prova
de mar de um navio e o Estaleiro não
dispunha de uma pistola de sinalização
(espécie de lanterna que é apontada
para o navio, emitindo sinais em Código
Morse), essencial para a realização
do teste. Coester foi chamado para resolver
o problema, e em dois dias fabricou o equipamento
com sucesso.
A partir do episódio do sinalizador,
a empresa passou a desenvolver equipamentos
para a construção naval, como
os motores selsyn, componentes básicos
na automação analógica,
além de sistemas de navegação,
giroscópios, e radiogoniômetros,
bem como o controle do sistema hidráulico
do leme das embarcações.
É preciso sempre ter uma alternativa
quando estamos diante de uma falha. A redundância
é um conceito que Oskar Coester trouxe
da aviação, desenvolvendo sua
aplicação na indústria
naval brasileira. A empresa foi pioneira na
utilização deste conceito, que
posteriormente tornou-se obrigatório
em nível mundial.
A criação de novos sistemas e
os aperfeiçoamentos desenvolvidos, afirmaram
a competência técnica da Coester,
que foi convidada a participar do II Plano Nacional
de Construção Naval nos anos 70.
Neste plano, a empresa equipou mais de 350 navios,
entre embarcações de grande porte
e da Marinha de Guerra, passando a ser referência
para a Marinha Mercante e a Frota de Petroleiros.
Uma referência que atesta o salto experimentado
pela Coester é a comparação
das dimensões físicas da empresa:
do galpão de 25 metros quadrados e quatro
funcionários, em 1963, passou a ocupar
8 mil metros de área construída,
com mais de 300 funcionários especializados,
em 1980.
Todos os equipamentos do sistema de navegação
eram desenvolvidos e fabricados no Brasil pela
Coester.
A diversificação das atividades
da Coester surgiu como solução
emergencial diante da crise decretada pela falência
da indústria naval nos anos 80. Em 1975,
a empresa já havia iniciado a produção
de atuadores elétricos, um resultado
de sua relação com a Petrobras.
Com um mercado ainda incipiente, o produto era
pouco expressivo na escala econômica da
Coester.
Atuadores Elétricos são equipamentos
destinados à operação automatizada
de válvulas em indústrias de processo,
como petróleo e saneamento.
Inicialmente, a empresa participou da formação
de um consórcio para a fabricação
de atuadores, em conjunto com a empresa gaúcha
Micheletto. Em 1980, a Coester lançou
sua própria linha de produtos. Esta linha
manteve-se no mercado até os anos 90,
quando passou por processos de renovação,
tornando-se a competência central da empresa.
Nesta época, o mercado brasileiro abria-se
para o mundo globalizado, que trazia novas oportunidades
e ameaças. As empresas brasileiras, com
destaque para a Petrobras, passaram a investir
de forma mais consistente em automação
industrial: eis a oportunidade.
Visando eficiência operacional e segurança
ambiental, os atuadores eletromecânicos
passaram a ser substituídos por equipamentos
inteligentes. Posicionando-se estratégicamente,
a Coester decide concentrar seus esforços
em automação de válvulas,
usando a experiência adquirida em sua
parceria com a Petrobras. Numa decisão
ousada, a empresa transferiu todas as atividades
não relacionadas com automação
para seus funcionários.
A capacidade de desenvolver inovações
tecnológicas foi decisiva para a Coester
firmar com a estatal um Termo de Cooperação,
em 1997. O programa teve como objetivo desenvolver
uma nova linha de atuadores inteligentes, com
características internacionalmente competitivas,
introduzindo uma série de conceitos inéditos
em nível mundial.
A partir de conceitos modernos, certificações
severas, e testes de fabricação,
além de um sistema de garantia de qualidade
adequado, a Coester Automação
consolidou uma nova tecnologia. Apostando na
qualificação de seus recursos
humanos e fornecedores estratégicos,
entrou no mercado para vencer mais um desafio,
tornando-se a única fabricante do produto
no Brasil, e especializando-se em automação
de válvulas. Em 1998, a empresa obteve
o certificado ISO 9001 para sua planta em São
Leopoldo.
Hoje, a Coester ocupa posição
de destaque neste mercado, fornecendo soluções
integradas com avançada tecnologia de
comunicação de dados, acreditando
sempre na qualidade das relações
com os clientes. Neste contexto, a empresa destaca
a Petrobras, que sempre incentivou o desenvolvimento
tecnológico, a indústria nacional,
e a capacitação empresarial brasileira.
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